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A história por trás do meu olhar

Me chamo Franciele Fraga da Cunha, tenho 25 anos, e a fotografia faz parte da minha história muito antes de se tornar a minha profissão.
Desde pequena, eu adorava andar com uma câmera antiga fotografando tudo o que despertava minha curiosidade. Naquela época eu ainda não entendia o motivo, mas hoje percebo que, sem querer, já estava aprendendo a observar o mundo com outros olhos.
Ao longo da vida, encontrei na arte um refúgio. Entre livros, música, escrita e fotografia, fui construindo um lugar onde eu podia respirar, desacelerar e encontrar beleza mesmo nos dias mais comuns. Acho que foi justamente ali que aprendi a enxergar o mundo com mais sensibilidade.
Sempre me encantei pelos detalhes que muitas vezes passam despercebidos. A luz atravessando uma janela, o vento movimentando as árvores, um abraço demorado, um olhar cheio de carinho, um sorriso espontâneo.
Vivemos em um mundo tão acelerado que, muitas vezes, esquecemos de realmente estar presentes. A fotografia me ensinou a fazer exatamente o contrário: parar, observar e dar importância ao que realmente importa.
Talvez seja por isso que eu nunca tenha visto a fotografia apenas como uma imagem bonita.
Para mim, ela sempre foi uma forma de eternizar sentimentos, de preservar aquilo que o tempo insiste em levar e de permitir que um instante continue vivo, mesmo muitos anos depois.
Embora eu tenha me formado em Medicina Veterinária, foi durante essa caminhada que compreendi onde meu coração realmente estava. A graduação me ensinou disciplina, responsabilidade, sensibilidade e cuidado, mas também me trouxe uma das maiores lições da minha vida: às vezes, o maior ato de coragem não é seguir o caminho que todos esperam de nós, e sim ouvir aquilo que faz nosso coração vibrar.
Escolher construir minha carreira na fotografia foi exatamente isso. Não porque era o caminho mais fácil, mas porque era onde eu conseguia me enxergar por inteiro. Hoje, cada ensaio é muito mais do que um trabalho para mim. É uma oportunidade de conhecer pessoas, ouvir histórias e registrar capítulos que nunca mais poderão ser vividos da mesma forma.
É um privilégio poder transformar momentos em lembranças que acompanharão famílias por toda a vida.
Existe uma cena que quase ninguém percebe: enquanto estou atrás da câmera, muitas vezes sou eu quem está sorrindo. Sorrio quando vejo uma família se divertir, um casal esquecer que está sendo fotografado, uma criança brincar livremente ou um pet simplesmente ser quem é. São esses momentos espontâneos que mais me emocionam, porque é neles que a essência de cada pessoa aparece.
Por isso, antes de cada ensaio, gosto de conhecer quem estará do outro lado da câmera. Conversamos, trocamos ideias, entendo suas expectativas e penso em cada detalhe para que a experiência tenha a sua identidade. Acredito que nenhuma história é igual à outra, e é justamente isso que torna cada ensaio único.
No fim das contas, acredito que fotografar nunca foi sobre congelar o tempo.
O tempo continua passando.
Mas uma fotografia tem o poder de fazer um abraço aquecer novamente, uma risada ecoar outra vez e um momento voltar a ser sentido, mesmo muitos anos depois.
Se, através do meu olhar, eu conseguir fazer alguém reviver tudo isso, então terei encontrado exatamente o propósito que sempre procurei.
Será uma alegria contar um pedacinho da sua história também.